terça-feira, 22 de julho de 2008

Saudades do banheiro

Texto bacana:

"Saudades do banheiro"

"Quero comprar um apartamento de três quartos, sem suíte. Repito: sem suíte. Impossível. Ontem mesmo começaram a construir um de quatro quartos aqui bem na frente do meu. Quatro suítes. Será que não se fabricam mais apartamentos e casas como antigamente?

(...)

O que será que está mudando nesta nossa moderna sociedade de consumo? O brasileiro, de uns tempos para cá, vem defecando mais? Não digo as defecadas federais, nem as estaduais, nem as municipais. Estou me referindo à nossa defecadinha honesta de todo dia, pessoal, íntima.

O mais interessante é que, antigamente, as famílias eram bem maiores, tinha-se mais filhos. E banheiro, um só. Ladrilho vermelho encerado ou com vermelhão. Ale se faziam as necessidades e se tomava banho. Tinham horas do dia em que se faziam filas para entrar no banheiro. Hoje, fila de banheiro só em festinha, para se dar uma cafungadinha."

PRATA, Mário. In: Filho é bom mas dura muito. São Paulo, Maltese

Pedro Paulo Pereira Pinto

Textinho descontraído:
"Pedro Paulo Pereira Pinto, pequeno pintor Português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar Panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir. Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres."
T. Bordignon

Vinícius de Morais

Já que eu ainda não escrevi textos no cursinho, vou aproveitar para dar continuidade a sessão de textos interessantes. Nesse post coloco Vinícius de Morais. Enjoy it:
"Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar
Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E então sorrir para poder chorar.
E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito
E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito..."
Vinícius de Morais

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Primeiros Pensamentos

Eu disse na introdução do BLOG que o meu intuito não era escrever sobre a minha vida pessoal. Entretanto, há alguns assuntos que pendem em minha cabeça e talvez seja interessante discorrer sobre os mesmos.
É engraçado como a vida nos prega peças. Quando pensamos que estamos maduros acontece algo que nos faz sentir como bebês ingênuos e analfabetos. Cada um acha uma saída para aprender com seus erros e a minha é sempre assistir a "O Poderoso Chefão". Incrível como realmente suas dúvidas são sanadas e há sempre um ensinamento a ser tirado, como: "Quando eu morrer eu serei sábio". Quando meu orgulho me ofusca preciso pensar nessa frase.
E eu não pensei nela.
Controle emocional é algo que eu sempre acho que o meu está amadurecido, quando menos está. Saber agir com a razão e a emoção na dose certa é mais difícil na prática do que na teoria. Seria perfeito se soubessemos ser 50% de cada a todo momento, mas não é. E eu sempre acabo cometendo muitos erros quando somente um lado domina.
Eu espero ter aprendido a domar melhor minhas emoções. Porque devido a problemas da vida, gostaria de ser 100% racional e fui. Por 6 meses eu consegui me manter sempre na racionalidade meticulosa das coisas e sendo bastante egocêntrica. Tomei as melhores decisões dos últimos 10 anos da minha vida mas, também tomei a mais dolorosa de todas, além de ser a mais irreversível.
Não pretendo entrar em detalhes, portanto a única coisa que eu gostaria de deixar para fechar o post é um conselho: jamais haja 100% de certa forma por muito tempo. Às vezes é preciso agir com certa segurança e muita razão, mas para vida, como um todo, jamais. Nenhuma pedra sobrevive a este mundo, é preciso ter emoção também. É preciso rir, mas chorar também. Devemos ter equilíbrio em tudo, principalmente, nas ações.

Dica musical: Colbie Caillat
música gostosa e uma voz deliciosa de se ouvir

DE QUE MODO OS PRÍNCIPES DEVEM MANTER A FÉ DA PALAVRA DADA

Já que alguns leitores me pediram, vou postar o capítulo XVIII de "O Príncipe" na íntegra aqui:

"CAPÍTULO XVIII
DE QUE MODO OS PRÍNCIPES DEVEM MANTER A FÉ DA PALAVRA DADA
(QUOMODO FIDES A PRINCIPIBUS SIT SERVANDA)
Quando seja louvável em um príncipe o manter a fé (da palavra dada) e viver com integridade, e não com astúcia, todos compreendem; contudo, vê-se nos nossos tempos, pela experiência, alguns príncipes terem realizado grandes coisas a despeito de terem tido em pouca conta a fé da palavra dada, sabendo pela astúcia transtornar a inteligência dos homens; no final, conseguiram superar aqueles que se firmaram sobre a lealdade.
Deveis saber, então, que existem dois modos de combater: um com as leis, o outro com a força. O primeiro é próprio do homem, o segundo, dos animais; mas, como o primeiro modo muitas vezes não é suficiente, convém recorrer ao segundo. Portanto, a um príncipe torna-se necessário saber bem empregar o animal e o homem. Esta matéria, aliás, foi ensinada aos príncipes, veladamente, pelos antigos escritores, os quais descrevem como Aquiles e muitos outros príncipes antigos foram confiados à educação do centauro Quiron. Isso não quer dizer outra coisa, o ter por preceptor um ser meio animal e meio homem, senão que um príncipe precisa saber usar uma e outra dessas naturezas: uma sem a outra não é durável.
Necessitando um príncipe, pois, saber bem empregar o animal, deve deste tomar como modelos a raposa e o leão, eis que este não se defende dos laços e aquela não tem defesa contra os lobos. É preciso, portanto, ser raposa para conhecer os laços e leão para aterrorizar os lobos. Aqueles que agem apenas como o leão, não conhecem a sua arte. Logo, um senhor prudente não pode nem deve guardar sua palavra, quando isso seja prejudicial aos seus interesses e quando desapareceram as causas que o levaram a empenhá-la. Se todos os homens fossem bons, este preceito seria mau; mas, porque são maus e não observariam a sua fé a teu respeito, não há razão para que a cumpras para com eles. Jamais faltaram a um príncipe razões legítimas para justificar a sua quebra da palavra. Disto poder-se-ia dar inúmeros exemplos modernos, mostrar quantas pazes e quantas promessas foram tornadas írritas e vãs pela infidelidade dos príncipes; e aquele que, com mais perfeição, soube agir como a raposa, saiu-se melhor. Mas é necessário saber bem disfarçar esta qualidade e ser grande simulador e dissimulador: tão simples são os homens e de tal forma cedem às necessidades presentes, que aquele que engana sempre encontrará quem se deixe enganar.
Não quero deixar de apontar um dos exemplos recentes. Alexandre VI jamais fez outra coisa, jamais pensou em outra coisa senão enganar os homens, sempre encontrando ocasião para assim poder agir. Nunca existiu homem que tivesse maior eficácia em asseverar, que com maiores juramentos afirmasse uma coisa e que, depois, menos a observasse; não obstante, os enganos sempre lhe resultaram segundo o seu desejo, pois bem conhecia este lado do mundo.
A um príncipe, portanto, não é essencial possuir todas as qualidades acima mencionadas, mas é bem necessário parecer possuí-las. Antes, ousarei dizer que, possuindo-as e usando-as sempre, elas são danosas, enquanto que, aparentando possuí-las, são úteis; por exemplo: parecer piedoso, fiel, humano, íntegro, religioso, e sê-lo realmente, mas estar com o espírito preparado e disposto de modo que, precisando não sê-lo, possas e saibas tornar-te o contrário, Deve-se compreender que um príncipe, e em particular um príncipe novo, não pode praticar todas aquelas coisas pelas quais os homens são considerados bons, uma vez que, freqüentemente, é obrigado, para manter o Estado, a agir contra a fé, contra a caridade, contra a humanidade, contra a religião. Porém, é preciso que ele tenha um espírito disposto a voltar-se segundo os ventos da sorte e as variações dos fatos o determinem e, como acima se disse, não apartar-se do bem, podendo, mas saber entrar no mal, se necessário.
Um príncipe, portanto, deve ter muito cuidado em não deixar escapar de sua boca nada que não seja repleto das cinco qualidades acima mencionadas, para parecer, ao vê-lo e ouvi-lo, todo piedade, todo fé, todo integridade, todo humanidade, todo religião; e nada existe mais necessário de ser aparentado do que esta última qualidade. É que os homens em geral julgam mais pelos olhos do que pelas mãos, porque a todos cabe ver mas poucos são capazes de sentir. Todos vêem o que tu aparentas, poucos sentem aquilo que tu és; e esses poucos não se atrevem a contrariar a opinião dos muitos que, aliás, estão protegidos pela majestade do Estado; e, nas ações de todos os homens, em especial dos príncipes, onde não existe tribunal a que recorrer, o que importa é o sucesso das mesmas, Procure, pois, um príncipe, vencer e manter o Estado: os meios serão sempre julgados honrosos e por todos louvados, porque o vulgo sempre se deixa levar pelas aparências e pelos resultados, e no mundo não existe senão o vulgo; os poucos não podem existir quando os muitos têm onde se apoiar. Algum príncipe dos tempos atuais, que não convém nomear, não prega senão a paz e fé, mas de uma e outra é ferrenho inimigo; uma e outra, se ele as tivesse praticado, ter-lhe-iam por mais de uma vez tolhido a reputação ou o Estado."

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Começando...

E finalmente eu resolvi voltar com essa história de Blog. Quem me conhece há uns 8 anos, sabe que eu tinha um blog-diário. Porém, esse novo blog tem um novo intuito, o de me fazer escrever...
Vou postar textos interessantes mas, principalmente, redações que eu fizer pra que vocês opinem mesmo. Afinal eu tenho que escrever uma redação impecável no final do ano!!
E vou começar com um texto de Maquiavel, um trecho do capítulo XVIII de "O Príncipe":

"É que os homens em geral julgam mais pelos olhos do que pelas mãos, porque atodos cabe ver mas poucos são capazes de sentir. Todos vêem o que tu aparentas, poucos sentem aquiloque tu és; e esses poucos não se atrevem a contrariar a opinião dos muitos que, aliás, estão protegidospela majestade do Estado;

[...]

o vulgo semprese deixa levar pelas aparências e pelos resultados, e no mundo não existe senão o vulgo; os poucos nãopodem existir quando os muitos têm onde se apoiar."